No caminho, esbravejei comigo mesma as mil coisas que DEVERIA ter dito, mas ficaram guardadas. Aquela coisa do "nós" me deixou bastante abalada, não sei se senti pena ou inveja. Talvez eu não nunca vá entender certas coisas, entre elas esse tal "morrer de amor". Mas, acho que essa expressão, como todas, não deve ser interpretada ao pé da letra, ou a gente morre de amor quando mata o nosso EU...
sexta-feira, 2 de março de 2012
Morrer de Amor
No caminho, esbravejei comigo mesma as mil coisas que DEVERIA ter dito, mas ficaram guardadas. Aquela coisa do "nós" me deixou bastante abalada, não sei se senti pena ou inveja. Talvez eu não nunca vá entender certas coisas, entre elas esse tal "morrer de amor". Mas, acho que essa expressão, como todas, não deve ser interpretada ao pé da letra, ou a gente morre de amor quando mata o nosso EU...
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Relações perigosas, a gente vê por aqui.
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Nos tempos da inocência
Seja como for, hoje me veio a memória de uma fase da minha vida que sempre tive dificuldade de falar sem romancear, queria fazer parecer pra mim mesma que foi melhor do que de fato não foi.
Era assim, em meados de 2000, recém chegada a São Paulo, eu tinha todos os sonhos que alguém de uma cidade pequena, carente de maiores informações, e tomada por uma ingenuidade que faz tudo parecer mágico e possível, poderia ter. Tinha lido Candide, L’Optimisme do Voltaire, e interpretei como uma mensagem de esperança, pureza, perseverança. “Tudo está bem melhor não podendo estar”. – assim pensava eu enquanto lutava incansavelmente pra manter a banda que formei a custo de muito implorar às pessoas que tocassem comigo, e tentava concencê-los de que o nosso som era bom, passava uma mensagem importante, e embora eu não fosse uma grande cantora, as letras compensavam o desfalque. Também pedia que não usassem drogas (oh, poor lil'girl) e chegassem nos ensaios na hora marcada, e muitas vezes alguém faltava por ressaca ou preguiça. Contrariando todos os meus pedidos, meus colegas de banda concordavam com tudo, rindo. No fim, trocávamos os ensaios pelas festas, eles sabiam que eu gostava disso e não era tarefa árdua me convencer. Quando tocávamos ao vivo era um verdadeiro fiasco, mas geralmente estávamos chapados o suficiente pra achar que foi incrível. E, talvez a nossa energia falasse mais por nós do que a música em si, e assim ganhamos um concurso que nos botou numa coletânea de rock nacional chamada Rock D’Prima (um horror, pra dizer o mínimo).
A nossa banda se chamava Bat-Cães de Patrulha, e esse nome ecoou como algo muito vergonhoso nos meus ouvidos até bem pouco tempo atrás. Mas, hoje acho graça. Faz-me rir o esforço descomunal que eu fazia por essa banda fadada ao fracasso, e que eu tanto insistia em chamar de "nossa" quando tudo era feito por mim, TUDO mesmo. E era ruim. Sofri muito pra admitir alguns anos depois e tantas outras formações, de que a banda era ruim e ponto. O mais digno foi acabar com aquele sofrimento que não faria bem à memória de ninguém. E não estava errada, eu mesma não consigo ouvir as nossas gravações. Depois disso tive alguns projetos que mal saíram do estúdio de ensaio. Porém, aquela ingenuidade que foi elemento-chave pra começar foi embora e nunca mais voltou. No lugar ficou o severo senso crítico, tão severo quanto à educação recebida em casa, que me fez ver que ao contar uma mentira, se conta pra sí mesmo.
Quando olho através da linha do tempo que separa tantos anos de lá pra cá, vejo ali duas pessoas não complementares. Pessoas que hoje não teriam muito em comum para compartilhar, uma teria muito a dizer e a outra fingiria ouvir, pensando em qualquer outra coisa. Eu jamais daria uma entrevista fazendo chifrinho na mão, e dizendo rock n’ roll a cada meia frase, isso me soa patético! Mas, assim como hoje entendi que Voltaire estava sendo irônico, naquela época eu estava sendo inocente. Acreditava no que eu acreditava, e como era bom acreditar! E acreditei em arte despretensiosa, em amigos imutavelmente fiéis, em mudanças, em felizes para sempre... Chego a sentir inveja daquela pureza que foi minha!
E, quando essa qualidade vai embora, eu não sei o que fica no lugar.
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domingo, 8 de janeiro de 2012
A marca do biquíni
Uma reflexão bronzeada.
Nunca gostei de marca de biquíni, algo dentro de mim sempre discordou de quando ouvia por aí de que era bonito, sexy, de bom gosto. A dúvida acabava quando eu levava em consideração alguns fatores como a educação e meio social que frequentavam os amantes da controversa marquinha na pele. Por exemplo, tenho um grande trauma relacionado à isso, e por vezes pensei em apelar pra uma “ajudinha profissional” (é sério, é constrangedor admitir) pra superar a vergonha que eu sinto de ter sido vista na companhia de um amante da tal modalidade, ainda que por tempo muito curto. Era um carioca e gostava de marca de biquíni. Também gostava de mulher que ainda não deu pra mais de três caras, de ideograma japonês como tatuagem (ele não falava japonês, claro. Mal falava português!), de U2 e Vila Madalena. Não sabia absolutamente nada sobre literatura e só lia noticias do esporte, nem comentar obras de arte ou filmes OFF Blockbuster. Não bastasse tudo isso, ele ainda subia na laje da casa dele em SP pra garantir o bronzeado com a marca da sunga. Ele dizia, com um sorriso “ixpehrto” que as mulheres amavam! Na LAJE, SENHOR??? Santa chinelagem Bat-man! Fiquei com vergonha de ouvir o que o cara teve orgulho de contar.
Vale lembrar, também, que dinheiro não compra classe, caso você esteja lendo isso com sua alça de biquíni que chega até a última costela e pensando que seu dinheiro é uma vantagem... No, babe. Não se iluda, parecer a Donatella Versace não é sinônimo de bom gosto, isso é Paleontologia! Afinal, não é todo dia que vemos um camarão pré-histórico vivo ditando moda.
Já argumentei muito sobre isso, com partidários e contrários à questão. Mas, como preconceito é algo que todo mundo tem, mas se vale de grandes discursos dissonantes pra desviar a atenção do mesmo, naturalmente já disfarcei o meu próprio em muitas rodas de discussão. Hoje, morando em Floripa, estou sob o sol e seus efeitos, por isso refiz algumas considerações. Descaradamente a meu favor, óbvio.
Agora eu tenho marca de biquíni sim, afinal eu moro na praia! Como nesse país tem mulher pelada no carnaval, mas na praia é Atentado ao Pudor, então prefiro usar a parte de baixo literalmente baixa, meio anos 70. E a parte de cima é sempre tomara-que-caia, afinal não é por que moro na praia que preciso, ou passei a considerar a marca da calcinha na altura da cintura, e as tiras evidentes da parte de cima que sobem dos peitos em triangulos e se cruzam atrás do pescoço, algo deslumbrante. As mulheres adoram usar modelos tomara-que-caia quando saem, só pra deixar isso aparente. Qual a vantagem disso? Nunca entendi. Não acho vulgar, até por que com essa qualidade eu lido muito bem (ask my enemies), mas não consigo achar bonito e fazer o mesmo. Creio que isso desvia a atenção de certas roupas que pareceriam bem mais bonitas sem esse "extra". -mas, existem casos e casos. Por exemplo, peitos naturais. Eles podem ser muito grandes, ou caídos. E quando o encontro indesejável de ambos acontece, então a marca do top não é uma opção. Preciso ser justa, meu peito é de silicone, por tanto não cai. E olha que eu sonho com isso.
Acredito que muito do bom gosto em roupas de banho acabou na chegada do modelo Asa Delta. Exceto para aquelas que têm um corpo escultural, claro. Essas podem e devem TUDO! Acho que existe uma idade abençoada pra tudo, e é um crime não aproveitar.
No entanto, ainda existe uma grande diferença entre bronzeado a jato, e bronzeado natural. Se você mora numa cidade sem praia, use a dignidade a seu favor: evite aquelas máquinas nocivas que te deixam parecida com aquelas modelos de site de acompanhantes, já que você provavelmente se ofenderia se alguém fizesse tal associação. No meu caso, as tais marcas de biquíni são apenas uma consequência de morar na praia. Pra ser muito honesta, ainda prefiro um tom de pele natural e saudável, apenas. Mas no fim das contas, é muita sorte começar o dia com um banho de mar numa bela manhã de sol. Logo a vantagem é minha, mas sem me submeter a métodos artificiais nocivos, ou usar recursos 'Favela Spirit' como subir na laje e se molhar com mangueira de tanque. Dignidade, pratique essa ideia!
PS
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Cuidado com o que você deseja
Meu amigo me ligou aflito, tinha algo que queria me contar e não sabia como. Mas, sabia que eu era a pessoa certa, mais do que a maioria, afinal eu tenho uma "mente aberta". No começo fiquei me perguntando: o que essa alma perturbada quer de mim? Pra resumo de conversa, nunca o considerei alguém cuja natureza inspirasse conforto em quem com ele fosse ter um diálogo, ou algo mais profundo. Por outro lado, sempre me perguntei se essa segunda opção para ele não seria uma dádiva para o fim de suas inquietudes? Como judeu esse não era atípico: inteligente, criativo e em constante movimento em prol da sua saúde financeira. Pouco criativo, porém era seu lado romântico, irritante pra dizer o mínimo. Creio que já lhe falei sobre isso, mas talvez ele seja tão obstinado em acreditar que esteja no caminho do sucesso para isso, quanto para o céu dos semitas. Por alguma razão, ou por que é a mim que o céu dos pecadores reserva uma suíte máster, mais do que os outros e as outras, sempre acabei por dar-lhe ouvidos ignorando suas bocejantes investidas até que um dia elas cessaram, e ao que parece ganhei um amigo. E assim que ele veio confessar o que lhe vinha tirando a paz programada, e enfim respirar! Começou dizendo que estava saindo com uma garota incrível (e quem não é incrível no começo?), mas descobriu que ela fazia “umas coisas surreais”. Na hora pensei: necrofilia! Existe algo mais surreal do que isso? – mas não era isso. Comecei pegando leve e perguntei se eram drogas ou coisas do tipo, e nada. Mas era ainda SURREAL, e isso os afastou um pouco, pois ele precisava pensar a respeito. Estava preocupado por que não sabia se queria continuar. Ponderou que não seria pra casar, mas era o que queria pra ele. Esgotadas minhas opções, perguntei se era puta. Afinal, homens pagam putas e se apaixonam todos os dias. Não sei se é o Mr. Hyde interior dos homens politicamente corretos, ou o cara conclui que não há nada mais entediante do que mulher fiel, afinal não há vida sem emoção! Tire suas próprias conclusões. E foi assim que ele botou seu coração na mesa: - Digamos ela é, hum... –procurava a melhor maneira de colocar em palavras, como se fosse alterar o conteúdo bruto. Mandei se libertar de uma vez, e ai veio a derradeira: ela é agenciada por uns bookers mas não é modelo, sabe? Ela é.... ah, você sabe. Profissional do sexo. Tive que rir. Não era uma surpresa, exatamente. Quando ele corteja uma mulher e ela o rejeita, na sequência ele oferece dinheiro. Não sei o que ele pensa disso, mas tem que se ofende e tem que apenas não está a venda. E tem também aquelas que descobrem uma nova profissão quando isso acontece. Mas, como foi direto ao ponto, algumas coisas mudaram e ele estava parcialmente feliz, não fosse a autocensura moral do que pensar de si mesmo. Eles saiam na noite e ela limpava os bolsos dele, fazia piadas depreciativas com o pau dele em público enquanto flertava com todos os homens a sua volta. Deixava claro que era apenas pelo dinheiro, do contrário ele não teria capacidade pra desfilar com alguém do calibre dela. Uma pistoleira, diriam as pessoas de bem. E assim desandou a contar-me da sua via-crúcis nas mãos daquela que tanto lhe punia financeiramente pelo descompensado genético que era. Irreparável, degradante, ele se sentia uma “presinha” nas garras daquela fera. Pensei que iria chorar, ele estava emocionado de verdade. Mas, algo naquele sofrimento não me convenceu por completo, então lhe perguntei o que realmente lhe perturbava? Sua resposta foi lógica: - Estou feliz, isso é estranho. Não é? Estranho ou não, disse pra aproveitar. A maioria das pessoas vão morrer sem saber do que gostam. Isso é estranho, não é?
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terça-feira, 4 de outubro de 2011
Pessoas impressionáveis.
Ultimamente tenho notado um crescente número de pessoas facilmente impressionáveis sem obedecer a critério algum, simplesmente pelo histerismo de parecer que algo grande está prestes a acontecer, e o que aconteceu teve uma dimensão única como o efeito da bomba atômica. E assim atraem a curiosidade alheia: Mas o que foi que aconteceu, ganhou na loto acumulada, assinou um contrato para ser estrela de Hollywood atuando num filme dos irmãos Cohen ao lado de Brad Pitt, ou simplesmente ganhou entrada pra ver de perto um ex-rockstar dos anos 80 que tocou baixo numa banda cujo hit ninguém sabe de cor, e ele vai tocar numa espelunca cujo ingresso barato mal vendeu? Existe uma diferença.
Essa ansiedade extrema de insistir que tudo deve parecer maior do que jamais será me causa extrema fobia social, não aguento essas caras em estado de graça a troco de coisas tão insignificantes. Um sapato assinado, uma festa, uma fofoca nova, uma viagem ou uma nova amizade: tudo é motivo para caras, bocas e ares colegial de “eu tenho um segredo que você quer saber, mas não vou contar”, e isso merece ser exibido opressivamente. Pois é preciso provar que aquele momento é melhor, e mais importante, do que o momento de qualquer um que não seja si mesmo, e em caso de exceção, também o é para um grupo de amigos igualmente gratificados pelo dom de ser facilmente impressionáveis. É tanta coisa do lado de fora que temo que nem carne essas pessoas ainda têm dentro delas.
Sinto que essa coisa de externar agressivamente tudo o que se tem, se viu ou aprendeu deixa o mundo mais vazio de coisas que realmente merecem ser vistas, ouvidas e aprendidas. Tudo fica parecendo meio bobo, descartável. Como se tudo não passasse de um golpe pretensioso de um ego inseguro . –creio que já perdi de ver, ouvir ou mesmo participar de muitas coisas que fariam diferença pra mim só pelo fato de não suportar essa supervalorização pela supervalorização, apenas.
No meu próximo livro, Melancolia (sai no começo de 2012) eu abordo esse tema das proporções reais, imaginárias e as almejadas baseado num grupo de amigos universitários vindos de todas as partes, alguns estrangeiros, que se encontram pra estudar jornalismo, letras e artes na UNA (Universidad Nacional de Asunción). Fora de casa, eles estão livres pra desenvolver seus personagens, caráter e caprichos. Quem narra a trama é uma camponesa de família humilde, que a principio se impressiona muito com os novos amigos e a vida na cidade grande, e especialmente com o dinheiro confiado por seus pais para um ano de estudos, aluguel e alimentação. O dinheiro acaba em 4 meses, e ela se vê obrigada a procurar emprego num cassino servindo mesas e passa o tempo levando cantadas com propostas financeiras envolvendo sexo dos clientes. Pra completar descobre que está grávida de um caso rápido que teve com um americano cujo nome mal sabe pronunciar, e pretende fazer um aborto. Esses acontecimentos fazem com que ela mude a forma de ver o mundo, especialmente o mundo espetacular dos amigos que passam o tempo procurando festas, amores extraordinários, brigas e ressacas. O que antes parecia incrível e perfeito passa a parecer injusto e fútil. – e segue (...)
É mais ou menos isso. As dimensões das maravilhas únicas variam muito de acordo com a inocência, pretensão e necessidade (ou inteligência?) de quem as interpreta.
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segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O amor e a guerra.
Ou o sorriso que precede a facada.
Ela não pode te ver que já escancara seu melhor sorriso de boas vindas, e já faz de tua chegada uma festa, pois estava morrendo de saudades. Diz que teu cabelo está lindo, adorou sua roupa (você realmente tem muito bom gosto, como sempre) e finaliza com o lisonjeiro: tu emagreceu?
Pronto, amigas! Hora de botar a conversa em dia, afinal de contas ela está MUITO FELIZ por suas novas conquistas. Como não querer bem um ser tão amável como ela? Simples, ela prefere te ver morta a te ver sorrindo outra vez. Assim que você deu as costas ela ligou pra outra amiga que vocês têm em comum e gastou uma bela grana em telefone só pra desabafar o quanto é detestável te encontrar com aquelas roupas mal escolhidas e vulgares, compradas numa loja barata, até se sentiu envergonhada de falar contigo em público. Por que é bom frisar as diferenças entre vocês: ela jamais usaria um vestido como o seu, questão de classe. Além do mais, como tu parecias mais gorda! Credo. Em cima, foi ela perguntar como você estava, que já se deixou levar por sua costumeira, e nada convincente, superioridade e tentou convencê-la de que estaria muito bem quando sua cara dizia exatamente o contrário. Enfim, você não muda. Até fingiu não perceber o novo corte de cabelo que ela estava usando só pra evitar elogiá-la, e logo correr no salão pedindo para imitá-la no mesmo dia! Definitivamente, você sempre teve inveja dela. Ela sente pena de você, afinal tua vida sentimental é um fracasso atrás do outro e seus amigos só não te excluem da vida deles por que não querem se sentir culpados pelo teu suicídio. Ela até ouviu dizer que você está em depressão. Bom, não é pra menos, alguém como você colhe o que planta mesmo. – ao fim da ligação ela pediu segredo. Não que se importe com a tua opinião –ela não dá a mínima- mas, TODOS SABEM (sim, ainda coagiu a amiga a ser cúmplice): você é uma pessoa desequilibrada, então nunca se sabe como isso pode acabar, certo?
Mas, digamos que segredos entre duas pessoas só funcionam se uma delas estiver a sete palmos abaixo da terra. E, numa noite de bebedeira com amigos, (incluindo a tão amável amiga que passou a noite a tecer elogios estratosféricos a sua inteligência, beleza, talento profissional e de vida exemplar) o segredo veio a público mal ela deixou o recinto. E qual não foi sua surpresa ao ouvir da maioria dos presentes as coisas que ela já disse sobre você, incluindo as vezes que se sentiu desafiada no ego e tentou te prejudicar silenciosamente? – certo, ou tu bebeu demais, ou estamos falando de uma pessoa com sérios transtornos de personalidade. A partir disso, é melhor ter cuidado por onde anda. Cautela nunca é demais, especialmente entre, hum... Amigos.
O texto pareceu cruel? Também achei que foi cruel quando me descobri vítima da psicose alheia. E juro, poucas coisas na vida me surpreenderam tanto. Eu nem senti raiva, lamentei por perder alguém (silenciosamente também )que tanto estimava pra sua própria insegurança. Por outro lado, ainda tenho dentes para forjar um sorriso a cada novo encontro. Também já tomei o cuidado de deixar o nome dela no topo da “guest list” do meu velório. Isso se ela não morrer antes afogada no próprio veneno (ou atropelada pela Kombi do correio). Who knows?
Mas, até lá: amigas!
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domingo, 11 de setembro de 2011
Setembro.
O fim de um ciclo que acaba comigo.
Estou afundada em profunda melancolia. Odeio anos ímpares. Odeio todo novo aniversário, por que de novo só a idade. E os estragos da gravidade, quem gosta?
Esses tempos atrás fiz uma pesquisa pra uma matéria que eu iria escrever, e o tema era sobre “oque” as pessoas vêm lendo mais, e advinha? AUTOAJUDA! –cogitei me juntar ao time algumas vezes, mas eu sofro do mal das pessoas mais desenvolvidas intelectualmente: desconfio do simples, do popular, do óbvio. Analiso a personalidade das pessoas e dou notas – elas não sabem, mas agora já não é segredo- e de acordo com isso é a relevância que tenho para com elas. Cruel, eu sei. Quem eu penso que sou pra agir como um semideus de mim mesma? Uma pessoa entediada. Nada mais. Por tanto não se apegue ao que eu posso pensar de ti.
Meu ano começa todo setembro, e com ele as cobranças, o balanço HONESTO de quem eu sou, do que quis ser e do que alcancei. Porém, ultimamente me sinto acometida pelo tédio da velhice prematura. Falta-me jovialidade ou me sobra bom senso. Minhas amigas estão cada vez mais diferenciadas umas das outras: algumas mentem a idade, outras não percebem a idade e vivem como adolescentes caçando romances em baladas "teen", outras se apegam a crenças absurdas e outras simplesmente desistem. Já não importa mais os sonhos que tiveram, o importante é garantir uma estabilidade qualquer, seja como proletária mediana, seja como dona de casa ou mesmo se mantém num relacionamento naipe areia movediça. E nisso entendo que somos responsáveis por quem permanece ao nosso lado e por quem afastamos. Seja por iniciativa própria ou por irreparáveis desencontros ideológicos. As pessoas mudam, o tempo não poupa ninguém.
E assim me entrego à autocomiseração.Ó pobre Solange! E houve quem dissesse que eu mentia minha nacionalidade por marketing, como se pra mentir algo assim alguem escolheria logo o Paraguai! Só por que no Brasil a maioria morre de vergonha de ter nascido aqui, como se ser brasileiro –fora da Copa ou algum êxito artístico- fosse a maior punição que alguém pode receber. Todo mundo bate no peito pra reverenciar as descendências, mas não tem coragem de fazer a terra que nasceu valer menos no conceito alheio. Por quê? Não sei. Nunca tive vergonha da minha nacionalidade, e graças a ela não sou restrita a implorar atenção tupiniquim das coisas que faço. Essa contradição pelo menos não levarei ao caixão. Mas de resto, tédio.
Meu editor chileno, da revista Conspectus CL, onde escrevo sobre Cinema, Literatura e História, me escreveu avisando que “esta semana te llega um paquete por los exitos alcanzados” e me parabenizou pelo meu trabalho, que foi conquistado com texto e não com imagem. E logo menos preciso entregar meu próximo livro, que deve sair em Portugal outra vez, entre outras coisas que apareceram no caminho e que seriam facilmente interpretadas como “momento de sorte”, dada as condições artísticas e intelectuais desse país. Aqui já se leu muito. Mas, isso é definitivamente coisa do passado. Imagem é tudo, leitura cansa. E boa parte dos meus amigos gosta de escancarar o bordão “vá ao teatro, mas não me chame”. – irônico, essa tende a ser minha próxima parada. Afinal, por que não desisti de escrever, sendo isso tão mais fácil do que amargar as derrotas que estão reservadas a quem “insiste”? E então me pergunto em que saco devo enfiar meus velhos, atuais e futuros amigos? Eu mudo muito, e logo me sinto entediada. E mudo pra evitar o inevitável das redundâncias. As pessoas com seus dramas repetitivos, que no fundo preferem viver com eles a não ter do que reclamar. E auto piedade é algo que conheço bem. É um jogo de atração. E logo o velho tédio.
Assim, tenho hoje uns sessenta e poucos anos mentais, dizem que librianos já nascem velhos. Detesto balada, gente boba e deslumbrada. Não uso drogas – e talvez a isso seja atribuído tanto da minha intolerância para com o próximo- e voltei a ser a caipira que já nasci sendo, sem remorsos. Cada um deve saber de onde veio mesmo que não saiba pra onde vai, talvez assim evitem mais divãs e usem mais espelho.
No tocante ao resto, preguiça.
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Te abduziram também?
Definitivamente a moda não merece qualquer crédito. O novo "black" é apostar em Disco Voador pra tudo que é lado.
Recebo spams o dia inteiro, não de UMA, mas de várias pessoas. Epidemia intergaláctica virtual!
Virou um tal de Disco Voador no Tsunami, no Embu das Artes, No Mato Grosso onde até pessoas próximas andaram comprando TERRENOS por que em 2012 o mundo vai voltar a Era do Dilúvio, mas quem comprou lá vai se salvar e, segundo minha amiga "tenho um lugar no Iglu dela" - ou seja, não sei vocês, mas eu tenho bons contatos, hehe.
Também vejo que a fé realmente move montanhas, começando pelas do Mato Grosso. Logo, acreditar é o primeiro passo pra parecer real. Vide doenças psicológicas, eu mesma tenho a tal "agorafobia" e ninguém tira da minha cabeça que não há NADA acontecendo, eu preciso FUGIR de onde estou já. Alguns profissionais me disseram que isso é doença de quem "pensa demais", daí vem a ansiedade, as sensações que PARECEM reais. Em outras palavras, prefiro não agregar mais paranoias além das que já tenho naturalmente.
Respeitar a crença alheia faz parte de normas civilizadas de convivência. Eu também prefiro não ser questionada nas minhas ignorâncias, e assim pouco questiono a fé dos outros. Acho que existem elementos além do que já conhecemos, inclusive nós mesmos existimos e somos "novidade" para alguns seres da natureza.
Mas, essa fixação de correr atrás de Disco Voador...galera, vamos se focar mais no que está acontecendo com nós mesmos, nossos amigos, nossa natureza (por ex. a gente não precisa de um ET mandando "buscar conhecimento" quando nós sabemos que toda a ação tem reação, inclusive o que damos a terra, ela nos devolverá).
Conheci algumas pessoas do Projeto Portal que são de uma fanatismo que me causa pena, e me dá um pouco de medo de ver o quanto o ser humano tem tendência ao fanatismo. De repente, mais NADA é daqui! Já ouvi dizer que o fato de eu ter sonhos que acabam acontecendo é por que eu também não sou daqui.
Bom, sendo ou não. Não é isso que pensa a gerente do meu banco, e não há outro lugar além da terra que eu possa morar por enquanto. Então, enquanto eu tiver que pagar pra morar AQUI, terei que pensar como terráquea e me preocupar com essas coisas. Falar ou ver Ets não me levarão a nada.
Desculpem-me a franqueza, SINCERAMENTE, não quero parecer rude ou soberba. Mas, quem quiser achar, fique a vontade também. I don't care.
Tem entidade demais adivinhando o futuro da humanidade e tá meio mundo com síndrome de Super Herói Americano.
Acho que muita gente já viu ou ouviu coisas que soaram um tanto inexplicáveis, mas isso não faz de nós menos humanos do que já somos. Vamos CAIR NA REAL?
Eu tenho algumas experiências com casa mal assombrada de verdade, coisas que deixaram minha família bastante perturbada. Já vi coisas flutuando no céu, inclusive gravei junto com a minha irmã. Mas NADA disso me fez correr pra terreiro de macumba, buscar conhecimento num cara atrás da moita, ir pra um retiro na puta que pariu, tomar chá disso e daquilo, me hipnotizar em alguma religião e achar que tenho "algo superior" e preciso "trabalhar" isso pra "ajudar" outras pessoas.
Quero mais é que os mortos continuem bem onde estão, não quero saber de "mensagens", naves espaciais e spams fanáticos. Honestamente, acho que religião faz mais mal do que bem, salvo algumas exceções de viciados que encontram Deus fora do bar. Mas acabam se aborrecendo, na maioria das vezes, e voltam pro bar com sede de vingança total (check Rafael Pilha) - por hora, apesar de conviver com alguns distúrbios continuo cética e trocando tudo por um bar, amigos com senso de humor e alguma caipiragem.
Cidade grande deixa as pessoas paranoicas, alguns vão pro analista enquanto outros começam a "ver coisas". Bolinha e pó a rodo também agravam isso (fica a dica).
Que tal ler menos bobagem na net, e tentar alguma LITERATURA que realmente te transporta pra outro mundo, como Tolstói, Balzac, Fernando Pessoa...? A terra também tem coisas bem interessantes, é só olhar ao seu redor.
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domingo, 24 de julho de 2011
Sexo, amigos e rock n’ roll
...com algumas lágrimas no meio.
Nossa geração é realmente muito moderna. Que o diga a “party people” de plantão!
Todo mundo sai com todo mundo, mas não se envolve emocionalmente. Garantem que apesar do envolvimento físico, continuam sendo apenas bons amigos e não esperam nenhuma progressão além do sexo. E a coisa vai além, os casais mal terminam e já se intitulam melhores amigos “pra quem quiser ver”, evitando assim aqueles famosos barracos passionais.
Como se tornar-se o melhor amigo daquele que até meia hora atrás era o amor da sua vida fosse pouco, (por que hoje em dia todo mundo também é o AMOR DA VIDA um do outro em uma noite), ainda podemos contar com um favorzinho extra: eles passam a ser miguxinhos confidentes dos atuais parceiros. Wow! Quanto adestramento social! Na era da informática também podemos nos dar como robôs, somos programados a lidar com sentimentos de maneira calculada.
Racionalmente, chego a ter inveja dessas pessoas que garantem lidar com essas coisas de maneira tão superior a minha. Porém, ao cair da cortina vermelha de veludo, a cena que se segue vai da contradição ao ridículo: é choro e xingamento na net pra tudo que é lado. Unfollow nela! Block nele! O famoso “se beber não digite!”
Vira e mexe eu acabo consolando amigos que agora são inimigos, ex-casal moderno que agora careteou e estão em pé de guerra, amigas que indicaram amigas pro “amigo” e depois ficaram com ciúmes e brigaram. – eu consolo, mas dou risada. Seria até desrespeito não rir de quem faz comédia.
Mas, pensando no bem estar dessas pessoas. Resolvi dar umas dicas caipiras, pode pegar mal pra geral que é tão moderna quanto você, mas vai por mim só dessa vez:
- Amigo é amigo, quem trepou deixou de ser amigo. Use o nome que melhor lhe couber, menos o de amigo. A razão é muito óbvia, quando tu chama alguém de amigo para outros amigos, a ideia é de que esta pessoa está tão a disposição quanto os demais. Ou seja, não adianta ter crise de ciúmes ao ver o amigo/a em questão flertando com outros dos seus amigos/as, ou mesmo indo embora da festa com outro...huumm, amigo/a. Sacou?
- Apresentar o EX pra outras pessoas, significa que tu mereces um lugar no céu e tua alma é realmente pura, sem rancor, sem sentimento de posse, desprovida de ego. Assim, provavelmente não vai se incomodar quando ouvir da boca de terceiros que o EX disse que nunca sentiu por NINGUÉM (incluindo você que se achava no topo do Everest dele/a) o que sente pela pessoa que tu apresentou. – também acrescentaria que andar juntos na hora de “sair pra pegar” soa mais como provocação do que camaradagem.
- Sexo é envolvimento sim, alguém sempre termina mal nessa brincadeira. Então, que tal estabelecer algumas regras de cavalheiros como “vamos nos tratar bem e ver no que dá, mas enquanto isso acontece, tu me farias o FAVOR de não aparecer com ninguém na minha frente, nem na frente dos meus amigos como se eu realmente não merecesse qualquer cuidado?” – se ninguém analisar por esse lado, vai acabar tomando a velha resposta fria e dolorosa: - Mas, até onde eu saiba, somos apenas amigos, né? Isso inclui sair com quem eu quiser, incluindo pessoas do teu convívio. E... sem cobranças (engula o choro meu bem)!
Ou seja, ser moderno é pra quem AGUENTA.
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